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Astrônomos avistam disco único de detritos que prenuncia o futuro do Sistema Solar

Foto do escritor: Astronomia e Astronáutica
Astronomia e Astronáutica
há 37 minutos
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"Já sabemos há algum tempo que planetas podem sobreviver além da transformação de sua estrela central, mas este é o primeiro exemplo de um sistema complexo com um disco de detritos duplo e potencialmente dois planetesimais sobreviventes", diz Nicola Gentille Fusillo, astrônomo da Università degli Studi di Trieste, Itália, e autor principal do estudo publicado esta semana na revista Nature Astronomy. A estrela central desse sistema é a anã branca J1328−1450, o núcleo denso e queimado deixado para trás quando uma estrela semelhante ao nosso Sol ficou sem combustível. À medida que estrelas como o Sol entram nos estágios finais de sua vida, elas se expandem e perdem suas camadas externas, engolindo e destruindo planetas próximos. Os corpos rochosos sobreviventes podem se desfazer formando um disco ao redor da estrela central e morta. No entanto, o disco ao redor de J1328−1450 é diferente daqueles observados ao redor de outras estrelas mortas: em vez de ter apenas um anel de entulho planetário vaporizado, a estrela é cercada por dois anéis concêntricos de detritos. "A estrutura que vemos neste sistema é particularmente intrigante porque os dois anéis gasosos são notavelmente estáveis e permanecem separados por uma fenda", diz o coautor Felipe Lagos-Vilches, astrônomo da Universidade de Warwick, Reino Unido, e da Universidad Técnica Federico Santa María, no Chile. "O sistema é um raro vislumbre do processo violento e caótico pelo qual um sistema planetário encontra seu fim, e sugere que estrelas mortas podem ter estruturas discais muito mais complexas do que se pensava anteriormente", acrescenta Gentile Fusillo, que também é afiliado ao Observatório Astronômico da INAF de Trieste. Segundo a equipe, essa estrutura dupla complexa provavelmente é mantida por dois corpos semelhantes a planetas sobreviventes, em órbitas separadas. Eles estimam que o do anel interno tem o tamanho de um asteroide típico, com alguns quilômetros de diâmetro, enquanto o externo pode ser tão grande quanto Plutão, ou até mesmo a nossa Lua. Todos os discos de detritos conhecidos ao redor das anãs brancas foram identificados pela mesma assinatura observacional, que indica a presença de um único disco plano, rotativo. Mas as novas observações, feitas com o instrumento X-Shooter no VLT do ESO no Deserto do Atacama, Chile, mostram que o sistema J1328−1450 quebra completamente esse padrão, revelando em vez disso a impressão digital única de um disco duplo. As observações também revelam que elementos como cálcio, oxigênio, magnésio e ferro estão presentes no disco, indicando uma composição semelhante à do material rochoso planetário encontrado em nosso próprio Sistema Solar. Além disso, os dados indicam que os dois anéis do disco possuem, na verdade, composições bastante diferentes, com o anel interno rico em gás de magnésio e o externo em grande parte desprovido dele. Isso sugere que os planetesimais que alimentam os anéis se originaram de dois planetas com composições diferentes. Uma explicação alternativa é que eles são resultado de diferentes partes de um corpo celeste, como a crosta e o núcleo de um planeta. Nosso Sistema Solar pode ter um fim semelhante, já que nosso Sol, em um futuro distante, se tornará uma anã branca em um processo que pode destruir a Terra. "O sistema, portanto, oferece um vislumbre notável de como pode ser o futuro dos sistemas planetários, incluindo sistemas como o nosso", conclui Lagos-Vilches.

Fonte: ESO.


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