Primeiro cometa descoberto em 2026, fará rasante no Sol e poderá ser visto a olho nu
- Astronomia e Astronáutica

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O primeiro cometa descoberto em 2026, batizado oficialmente de C/2026 A1, já movimenta a comunidade científica internacional. Descoberto em 13 de janeiro deste ano por astrônomos amadores, o objeto deve passar perigosamente perto do Sol entre os dias 4 e 5 de abril, em uma trajetória rara. Anteriormente conhecido pela sua designação temporária 6AC4721 , é um cometa rasante de Kreutz. Os cometas rasantes Kreutz são uma família de cometas rasantes, caracterizados por órbitas que os colocam extremamente próximos do Sol no periélio. A família tem o nome do astrônomo alemão Heinrich Carl Friedrich Kreutz (1854–1907), que em 1888 foi o primeiro a demonstrar através de cálculos orbitais que vários grandes cometas históricos eram relacionados dinamicamente. Este cometa foi descoberto através do programa MAPS, liderado por Alain Maury, Georges Attard, Daniel Parrott e Florian Signoret, sendo que os dois primeiros registraram a primeira imagem do imagem do cometa (a terceira na sequência mostrada). O objeto foi detectado a partir do Observatório AMACS1 em San Pedro de Atacama, utilizando um Telescópio Schmidt de 0,28 m (11,0 in) f/2.2 com uma câmara CCD a uma distância de 307,6 milhões de quilômetros, um recorde até aqui, superando o recorde anteriormente detido pelo Cometa Ikeya–Seki. O cometa apresentava uma magnitude de 17,8 no momento da descoberta e estava localizado na constelação de Columba. Este brilho a uma distância de 2 UA sugere um núcleo de dimensões consideráveis, com estimativas preliminares a apontarem para um diâmetro de aproximadamente 2,4 quilômetros. Após a descoberta, o cometa percorreu o céu austral em direção ao Sol, atravessando a constelação de Fornax (fevereiro), Eridanus (final de fevereiro), Cetus (março) e Peixes no início de abril, onde ocorrerá o periélio. Espera-se que o cometa se torne visível em telescópios de 8 a 10 polegadas no final de março, poucos dias antes do periélio, quando deverá superar a magnitude +10. Cruzará o equador celeste a 30 de março de 2026. Devido à sua declinação relativamente baixa em relação ao Sol, as condições de visibilidade serão mais favoráveis no Hemisfério Sul do que no Norte. O planeta Vênus servirá como guia útil para localizar o cometa no crepúsculo durante a sua aproximação ao Sol. Após o periélio, caso o cometa sobreviva à intensa radiação solar e às forças de maré, poderá desenvolver uma cauda espetacular visível ao amanhecer no início de abril de 2026, particularmente favorecendo observadores no Hemisfério Sul. A máxima aproximação do cometa à Terra ocorrerá a 5 de abril de 2026, quando estará a 0,129 UA (cerca de 19,3 milhões de quilômetros) do nosso planeta. Durante a aproximação ao periélio, o fenômeno de dispersão progressiva (forward scattering) poderá tornar o cometa excepcionalmente brilhante, havendo a possibilidade de ser visto até à luz do dia. O C/2026 A1 é um cometa do grupo de Kreutz, pertencendo especificamente ao subgrupo Pe, uma ramificação dos rasantes de Kreutz estreitamente associada ao subgrupo I. Este subgrupo originou-se da fragmentação do Grande Cometa de 1106, um cometa gigante que se desintegrou há quase mil anos. A órbita do C/2026 A1 é caracterizada por uma excentricidade orbital extremamente alta de 0,999958 e uma inclinação orbital de 144,5 graus em relação ao plano da eclíptica. Com um período orbital estimado em aproximadamente 1.609 anos, o cometa segue uma trajetória elíptica extremamente alongada que o leva das regiões mais distantes do Sistema Solar até a vizinhança imediata do Sol. O cometa passará pela coroa solar e atingirá o periélio a 4 de abril de 2026, momento em que estará a 0,00571 unidades astronômicas (1,23 raios solares) do centro do Sol ou a cerca de 160 000 km da superfície solar. Esta proximidade extrema submeterá o núcleo do cometa a temperaturas que podem exceder 2.000 graus Celsius e a forças de maré intensas, levando à possibilidade de ele não sobreviver à passagem.







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