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Escudo térmico da cápsula Órion é uma preocupação na missão Artemis II

  • Foto do escritor: Astronomia e Astronáutica
    Astronomia e Astronáutica
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

A missão Artemis I, um voo de teste não tripulado da NASA ao redor da Lua, revelou um problema inesperado e significativo no escudo térmico da cápsula Orion durante seu retorno à Terra em dezembro de 2022. A agência espacial identificou a causa técnica da perda de material carbonizado (char loss): gases gerados dentro do material ablativo, conhecido como Avcoat, não conseguiram ser liberados e dissipados como o esperado. Isso resultou em um acúmulo de pressão interna, provocando rachaduras e o desprendimento de pedaços do material carbonizado. Embora a NASA tenha afirmado que a tripulação estaria segura se estivesse a bordo, com as temperaturas internas da cabine mantendo-se estáveis em torno de 24°C, a descoberta gerou um intenso debate e levantou preocupações significativas para a missão Artemis II, que será tripulada. A investigação da NASA, que incluiu testes em solo para replicar o fenômeno, concluiu que a permeabilidade do Avcoat é um fator chave para evitar a perda de material. Para a Artemis II, a agência decidiu que o escudo térmico existente é seguro, mas implementará mudanças operacionais na trajetória de reentrada para mitigar os riscos. No entanto, essa decisão não foi unânime e tem sido alvo de críticas de especialistas. Charlie Camarda, ex-astronauta e engenheiro da NASA, expressou preocupações sobre a segurança do escudo térmico para a Artemis II, destacando que o design atual da Orion difere substancialmente do escudo da Apollo, que utilizava uma estrutura de colmeia com mais de 360.000 células preenchidas individualmente com Avcoat. O escudo da Orion, por outro lado, é composto por menos de 200 grandes blocos de Avcoat. Críticos como Ed Pope, especialista em materiais avançados, e o historiador espacial Jordan Bimm apontam que a falta de testes de reentrada reais, além da Artemis I, e as diferenças no processo de fabricação do escudo da Orion em comparação com o da Apollo, introduzem riscos não contabilizados. Um relatório do Inspetor Geral da NASA em 2024 também documentou os danos significativos observados no escudo da Artemis I, descrevendo-o como "cheio de buracos carbonizados". Apesar das críticas, a NASA mantém sua confiança na segurança da Artemis II, que foi adiada para setembro de 2025 (e posteriormente para 2026, dependendo da fonte mais recente) para permitir a conclusão das investigações e a implementação das medidas de mitigação. Para missões futuras, a partir da Artemis III, a agência planeja produzir blocos de Avcoat com maior permeabilidade para garantir uma exaustão mais eficiente dos gases e evitar o acúmulo de pressão. O futuro do programa Artemis, que visa levar a humanidade de volta à Lua, depende da capacidade da NASA de equilibrar a inovação tecnológica com a segurança da tripulação, especialmente diante dos desafios apresentados pelo escudo térmico da cápsula Orion. Nas primeiras imagens é possível ver o escudo térmico da cápsula Órion antes de ir ao espaço e depois de retornar da missão Artemis I, mostrando sérios danos. Na última imagem, é possível ver o escudo térmico da cápsula da missão Apollo após o retorno, mostrando diferenças na composição e nos danos sofridos.


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